domingo, 26 de abril de 2009

GP do Bahrein mostra: muita coisa ainda precisa mudar na Fórmula 1

Por Fábio Campos

Pergunto, após o GP do Bahrein de Fórmula 1, aos meus raros e caros leitores: Em que adianta criar um grupo técnico para facilitar as ultrapassagens? De que vale alterar todo o projeto dos carros de uma temporada para outra? Por que efetuar uma mudança tão drástica nos monopostos para fazer com que as corridas sejam mais emocionantes?

Tudo isso não vale, ou tudo isso pode não valer, se as cabeças por trás das muretas dos pits continuarem as mesmas.

Pode não ter sido um GP de todo ruim. Teve seus bons momentos, e teve suas alterações de posições entre os primeiros colocados. Ah, quantas alterações! Que “maravilha de corrida”, dirão alguns. Então, daqui deste humilde cantinho, pergunto a estes alguns: quantas dessas “trocas de posições” foram efetuadas na pista? E quantas aconteceram nos boxes?

Exatamente quando a chuva, a tempestade de areia, a neve ou até o crepúsculo deram uma trégua, quando todos estes elementos abriram espaço para a Fórmula 1 passar, a Fórmula 1 não passou... Ou melhor, passou pelos boxes.

Ao fim da prova, foi impossível - pelo menos para mim - se animar, ou não se decepcionar, com a corrida no Bahrein. Depois de toda a pré-temporada, depois de todos os estudos que levaram a esse novo carro, depois dos 3 primeiros GPs... E numa pista que eu considero excelente para ultrapassagens... Eis que elas, as ultrapassagens, foram poucas, raras, escassas..

Alguns que lêem este texto podem achar que estou sendo exigente demais. Respeito e respeitarei, como sempre, a opinião de todos. Mas o crítico de Fórmula 1 que se preze, aquele que fez um curso inteiro de Jornalismo na esperança de, quem sabe um dia, trabalhar com Fórmula 1, ou mesmo aquele que tenta analisar a Fórmula 1 com um mínimo de amor ao automobilismo e à sua história, não pode se contentar com um GP do Bahrein como esse. A não ser que o jornalista seja, como alguns que conhecemos, um mero animador de espetáculo, que acompanha e cobre a Fórmula 1 com o único intuito e espírito de torcer para os pilotos brasileiros.

Há quem goste e se entusiasme com corridas como essa. Eu não faço parte desse grupo.

Vocês já repararam como é cada vez mais comum, no rádio das equipes que entra durante a transmissão, o engenheiro lembrar ao piloto que ele tem mais ou menos voltas de combustível no tanque do que o adversário que está à frente ou atrás?

E aquela estratégia da Brawn com Rubens Barrichello? Minha nossa, o que foi aquilo? Quer dizer que o piloto vem mais rápido do que 3 carros à sua frente, com muito mais ação e tirando até um segundo por volta do último deles, e o nobríssimo engenheiro o que faz? Repare na grande contribuição dada para a Fórmula 1, que brota da cabeça genial deste ser humano: demos a ele, ao invés da chance de passar os 3, uma parada nos pits a mais! Não é uma beleza?

Ah, mas é o nobre Ross Brawn, alguém pode clamar. Ah, se é o Ross Brawn, baixemos nossas cabeças. Senhores como Mr. Brawn podem errar à vontade, não é? Quem somos nós para criticá-lo... Se fosse o Domenicali, caía o mundo, e era pancada de todos os lados. Mas é o Ross Brawn, o quase “imperador” da Fórmula 1 moderna.

Mas há uma certa covardia nesse senhor chamado Ross Brawn. Ou não é covarde quem puxa o piloto para os boxes quando este alcança 3 adversários mais lentos à sua frente? Não será um pouco covarde quem cria, dentro de uma equipe como a Ferrari, a regra do “tragam as crianças para casa”? Ou não haveria uma certa covardia em quem pede para um piloto ceder a posição para outro, depois de liderar uma corrida e um final de semana inteiro de GP? Será coincidência que, exatamente na época em que a Ferrari de Brawn, Schumacher e Todt dominou a Fórmula 1, as estratégias de ganhar uma corrida nos boxes tenham ser tornado tão importantes?

Mas Ross Brawn, verdade seja dita, não está sozinho nesse barco. Não é só ele que pensa assim, não é só ele que age assim. E é por isso que eu fico triste e decepcionado após uma corrida como essa, cheia de “ultrapassagens” nos boxes. Os carros estão diferentes, mas os engenheiros e chefes de equipe - e até alguns pilotos - ainda são os mesmos.

Espero eu que o GP de Sakhir seja uma exceção. Torço de verdade para que tenha sido a “sujeira na pista” que tenha prejudicado o espetáculo, embora alguns lances de perícia e beleza tenham sido mostrados por alguns poucos, e sobre os quais falarei mais tarde.

Sim, teve coisa boa no Bahrein... Teve Jenson Button, teve as duas primeiras (eletrizantes) voltas, teve uma ultrapassagem maravilhosa de Fernando Alonso sobre Jarno Trulli, teve Kimi Raikkonen voltando a marcar pontos... Enfim, ainda há muito a se comentar.

Mas o principal está escrito aqui. A grande preocupação é que esse vício das estratégias na Fórmula 1 permaneça por muito tempo. Mas fica a esperança, embora Barcelona e Mônaco não encorajem muito, de mais ultrapassagens nas próximas corridas pois, no dia em que eu gostar de ver duelo de estratégias, vou assistir campeonato de xadrez...

domingo, 5 de abril de 2009

Depois do brilho da noite de Cingapura, o vexame da noite malaia

Por Fábio Campos

Estava bom demais para ser verdade, não é? Exatamente no momento em que a Fórmula 1 parece ressurgir como esporte (na mais profunda acepção da palavra), no momento em que as corridas de Fórmula 1 parecem (pelo menos parecem, já que ainda é muito cedo) que vão se tornar mais encantadoras, mais atrativas e cheias de acontecimentos do tipo que todos queremos ver, alguém - sempre tem alguém - que contribui negativamente, que surge para atrapalhar e fazer o campeonato de corridas mais famoso do mundo ser ligado a um aspecto não-esportivo.

Mas nem mesmo os mais pessimistas, ou os mais experientes, já calejados ao longo dos anos por sempre verem manobras e decisões absolutamente desprovidas de bom senso que envolvem a F1, imaginavam que este dia iria chegar: o dia em que a Fórmula 1 teve que parar uma corrida não porque houve chuva, não porque houve um acidente, não porque alguém faleceu na pista... Mas, acreditem, porque a noite chegou!

Mas quem somos nós, afinal, reles mortais habitantes do 3º mundo, para querer atrapalhar o sono dos europeus! Logo eles, os europeus, que já sofrem tanto no seu dia-a-dia durante a semana, não é? Pois é, eles não podem acordar mais cedo no domingo, ora essa! Afinal, moram em países com situações precárias, com transporte público ineficiente para levá-los ao trabalho, estado econômico abaixo da média mundial, falta de saúde, educação, etc... Vamos deixá-los dormir mais um pouquinho. O resto do mundo? Bom, o resto do mundo não compra carros como eles. (Será que não mesmo?)

Pensou o Sr. Ecclestone: empurremos o horário de uma corrida na Malásia (na Malásia, onde quase nunca chove, não é verdade?) para, vejam só, às 5 da tarde! Isso mesmo! Uma corrida em que, mesmo se tudo correr de forma normal, vai acabar às 6 e meia!

Nada tenho nada contra os europeus e nada contra a Europa (um continente que eu anseio por poder conhecer um dia), mas não dá para agir como se apenas a Europa importasse para a Fórmula 1. Não dá para aceitar o desprezo pelo público no resto do mundo. Principalmente, não dá para aceitar o desprezo com o público malaio! Pense você, nobre leitor, naquele cidadão que passou boa parte do dia se deslocando para o autódromo e, pior, boa parte do tempo sentado na arquibancada olhando para uma “pista morta”, sem carro nenhum passando para depois, tendo pago pelo ingresso, não conseguir assistir ao final da corrida, porque o GP começou muito tarde...

Aliás, uma pergunta: se a Fórmula 1 e o Sr. Ecclestone prezam tanto os europeus, se a audiência européia importa tanto assim para a categoria, por que então essa debandada rumo à Ásia? Por que a categoria vai à Malásia? Vai à China? Vai ao Japão? Por que a Fórmula 1, se a Europa é tão importante, joga fora sem piedade corridas em países como a França? Ou como a Áustria? Ou até a Bélgica, que com tão bela pista já foi descartada várias vezes nos últimos anos...

O que o evento (ou meio-evento) de hoje mostra, o que escancara para o mundo inteiro é como esse grupo de pessoas chamado de “pilotos” não tem força nenhuma. Não é com superlicença ou taxas de adesão que a famosa GPDA tem que se preocupar apenas. A GPDA deveria aparecer em horas como essa, quando horários de corridas são marcados para momentos em que ou a noite está próxima, ou o sol já está tão baixo que incide no rosto dos pilotos.

A corrida, enquanto durou, foi excelente. Falarei dela mais para frente. Peço desculpas por alongar no tema, mas não consigo me calar vendo uma corrida sendo interrompida pela metade por um erro tão absurdo como este, de marcação de horário. Ainda mais tendo sido uma corrida tão brilhante, tão cheia de alternativas e brigas de encher os olhos.

Parabéns, Bernie Ecclestone! Neste domingo, todos os europeus puderam dormir bem, acordar, tomar o seu cafezinho e ir para diante da TV, assistir uma corrida pela metade...

domingo, 29 de março de 2009

E eles ganharam a 1ª corrida do ano...

Por Fábio Campos

Não há adjetivos, além do total estarrecimento, para descrever a sensação após o GP da Austrália. Eu desconfiei, confesso... Aliás, quem não desconfiou das notícias que chegavam de Barcelona naquela semana de testes no começo de Março? Até Rubens Barrichello confessou, em entrevista, que procurou saber em Barcelona se o carro estava realmente com o peso mínimo ideal, quando as equipes se preparavam na Espanha para o Mundial de Fórmula 1.

Há algumas horas, terminou o GP da Austrália. Há algumas horas, a Brawn GP fez a dobradinha, o “one-two”, na corrida de Melbourne. Um espetáculo, sem dúvida nenhuma. Mesmo que a corrida não tivesse apresentado outros atrativos, já seria suficiente para saudarmos de braços abertos a volta da Fórmula 1. Assistir ao que a Brawn GP fez na Austrália, por si só, já vale o ingresso... Já vale ficar acordado por 3 madrugadas seguidas... Já vale os meses de espera e, principalmente, vale como recompensa para quem segue e acredita neste esporte há tantos e tantos anos.

A Formula 1, hoje, vale a pena de ser acompanhada. Não só pela emoção natural latente a qualquer corrida de automóveis, não só pelas máquinas mais rápidas de todas, não só por causa dos brasileiros... A Fórmula 1 merece ser assistida porque, pelo menos por enquanto, pelo menos por um GP, por uma corridinha sequer, valeu mais a competência e a parte humana do que o poderio econômico.

Ferrari, BMW, Toyota, Renault... Nessa madrugada, todas essas gigantes comeram poeira. Ficaram para trás, mesmo. Nada puderam fazer contra uma equipe que usa o sempre sem sal e enfadonho “carro todo branco”, porque nem patrocino tinha quando chegou à Austrália. Tem dinheiro da Honda, é verdade. Mas não dá para justificar, não dá para pensar em uma explicação das mais lógicas para se explicar como uma equipe estréia na Fórmula 1 já ganhando corridas.

Procure na história da Fórmula 1... De fato, já aconteceu. Mas, com que freqüência? É raro, muito raro, mas acontece. E, quando acontece, é bom demais.

Como também foi bom demais para Rubens Barrichello o segundo lugar em Melbourne. Ficou de ótimo tamanho, depois de uma má - má não, péssima - largada e de perder partes do bico em toques nas primeiras voltas.

Não gostei da corrida de Rubinho. Não que tenha me decepcionado, mas pelo carro que a Brawn tinha na Austrália, acho que poderia ter escalado o pelotão de forma mais sólida. Estava em 4º, o que já seria um resultado não tão ruim, e ganhou a segunda colocação com a batida entre Kubica e Vettel.

Não me esqueci de Jenson Button. Deixei-o para o final propositalmente. Lembro-me de uma declaração dada por ele no ano passado quando, ainda no decorrer da temporada, foi perguntado sobre o sucesso de Lewis Hamilton. Button afirmou, como muitos, que Hamilton era o que era porque tinha um carro bom, e que se fosse dado a ele esse “carro de ponta”, ele faria igual. Parecia apenas arrogância, e soou como inveja pra alguns. Mas aí está, Button, seu “carro de ponta”. Cabe a você e à equipe tentarem se aproximar, no decorrer de 2009, do que Hamilton fez no ano passado.

Depois de tantas perguntas respondidas pela Brawn, é esse exatamente o questionamento - talvez o único - que resta: o que vai acontecer com a equipe daqui para frente? Qual será a capacidade da Brawn de se manter no topo, que todos dizem ser tarefa mais difícil do que alcança-lo (discutível, não?). A desconfiança sobre a capacidade de desenvolvimento da equipe de Ross Brawn precisa passar pela seguinte questão: não existem mais testes de pista durante a temporada. Vai haver desenvolvimento, é claro, mas será mais no túnel de vento e no Seven Post Rig do que nunca. Pode ser bom, ou pode ser ruim para a Brawn... Só o tempo vai mostrar.

E a corrida, no geral?

Foi boa, movimentada. A meu ver, muito mais pelo tipo de pista e pelo fator novidade que está envolto na categoria do que pela ação efetiva da mudança técnica dos carros. Deu para ver o Kers fazendo efeito em alguns casos, deu para ver carros contornando curvas bem próximos do carro da frente, e deu pra ver que slick é que é pneu “de verdade”.

Mas, como escrevi ontem, não deu - como não daria mesmo - para sentenciar o sucesso ou insucesso das mudanças. A primeira sensação foi boa... Mas a palavra é exatamente essa: é apenas uma sensação. Um circuito muito bom para se avaliar o sucesso das mudanças é Sepang, que chega já no próximo domingo.

No mais...

- Das novas regras, uma que passo quase despercebida por todos foi a que mais me chamou a atenção e pode ser, para mim, a que vai salvar algumas provas do marasmo. Não é a aerodinâmica, não é o Kers. A resposta virá detalhada em um post, em breve.

- Corrida muito ruim a do conjunto Nico Rosberg/Williams. Faltou ritmo. Em vários momentos, o desempenho do carro caía exponencialmente. Perdeu várias posições um pouco depois daquele lance entre Rosberg e Piquet (que não houve toque, portanto não houve culpa do alemão). No final da prova, com os pneus macios, o carro mal conseguia fazer curvas. Uma pena pois, se tem uma chance que a Williams precisa aproveitar, é essa.

- Fico preocupado quando vejo uma batida como a que houve entre Kubica e Vettel. Não que eu ache que alguém teve culpa, ou que o lance vá denegrir a imagem de algum dos dois ou tenha feito mal à corrida. O que me preocupa é a postura dos chefes de equipe com os pilotos quando eles chegam aos boxes depois de acidentes assim.

Acidentes assim são “coisa de corrida”, acontecem. E acontecem porque um piloto teve a coragem de tentar buscar uma posição e o outro teve a coragem de não entregá-la facilmente. Mas tenho medo que um diretor/burocrata desses que infestam a Fórmula 1 puna ou desencoraje ações futuras desse tipo por parte dos pilotos. É o maligno fantasma do “tragam as crianças para casa”, que ronda a categoria há muitos anos.

- Ferrari, Massa, Piquet, Kovalainen, Toyota... Fique por perto, que ainda tem mais, muito mais... Afinal de contas, ainda é só o começo!

sábado, 28 de março de 2009

A pole da Brawn GP e o começo da Fórmula 1 na Austrália: vontade de aplaudir de pé!

Por Fábio Campos

Será mesmo real? Será que chegou, de fato, o dia em que uma equipe relativamente simples, que acaba de nascer, sem grandes investimentos e com pilotos que provavelmente possuem os menores salários do grid, consegue engolir todo o pelotão de um grid de Fórmula 1, integrado pelas maiores potências industriais do mundo no setor automotivo?

Mas, embora a resposta para essa pergunta exija uma análise que provavelmente requer elucubrações mais profundas, o fato é: a Brawn GP fez a primeira fila do GP da Austrália de Fórmula 1! É fato, aconteceu de verdade... É real.

Um dos “itens e tópicos” que não podem deixar de ser esclarecidos e que acho importante ressaltar é que a Brawn não nasceu do zero, como já vem sendo insinuado por alguns. Este carro, tão bem feito, tão bem nascido e construído, está pronto - o pronto, nesse caso, não se refere à pista, mas sim em termos de concepção e projeto - desde metade do ano passado. É um carro de Ross Brawn, sim. Mas criado quando a equipe ainda era Honda. Acreditar que a equipe fez tudo isso após o anúncio de retirada da montadora japonesa, em novembro, é fazer a aposta errada.

Evidentemente isso não tira o mérito da escuderia que nessa madrugada fez o famoso 1-2 para a largada de 2009. Apenas deixa uma dúvida no ar a respeito da pergunta do 1º parágrafo...

Mas, deixemos análises mais profundas para depois... É hora de falar de Jenson Button em 1º, Rubens Barrichello em 2º, Sebastian Vettel em 3º, Robert Kubica em 4º e Nico Rosberg em 5º...

Precipitação é uma palavra que eu tento manter longe deste blog, por ser ela muitas vezes uma “inimiga” da razão. Mas confesso: está difícil de segurar nesse caso, faltando algumas horas para a largada em Melbourne.

Está difícil não “cravar” o sucesso das mudanças... De todas elas, já tão exaustivamente citadas e debatidas. Mas já dá vontade de aplaudir de pé... Tentando manter ainda um pouco de sensatez, diante da euforia que o grid citado acima me proporciona, só não arrisco a dizer que as mudanças já atingiram seu objetivo de mudar positivamente a Fórmula 1 porque falta o “teste final”, falta o grande detalhe, falta “a cereja do bolo”: as ultrapassagens!

Nessa madrugada, a Fórmula 1 terá a 1ª chance de nos provar que virou, de vez, um espetáculo digno do tamanho e da história que possui. Chegou a hora, depois de meses de espera e ansiedade maior do que em outras “inter-temporadas”, de encontrarmos o que realmente esperamos: uma corrida de verdade.

A expectativa é altíssima, mas vale o lembrete: o que acontecer na Austrália, tanto em termos de resultado como, principalmente, em termos de ultrapassagem, não é necessariamente o que vai acontecer no resto do ano de 2009. Se tivermos uma corrida com várias e várias ultrapassagens, ainda será melhor manter os pés no chão e aguardar o decorrer do campeonato (afinal, o leitor de boa memória vai se lembrar que já tivemos GPs da Austrália muito movimentados em anos em que o campeonato não foi tão bom assim). Se as ultrapassagens vierem em número baixo, acho que convém não desaguarmos ira e desagravos à Bernie Ecclestone e Max Mosley. Não ainda, mesmo que para muitos isso seja inevitável.

Se a Brawn, a Red Bull (que 3º lugar fantástico esse de Vettel, não? Que excelente começo na nova equipe. E ele mal treinou na sexta-feira...) e a Williams (exceto Nakajima, grande decepção até aqui) são surpresas positivas, impossível não citar Ferrari, Renault e BMW (com os pesos divulgados - outra boa medida - sabe-se que Kubica, em 4º, é o mais leve de todos) como decepções. Os italianos ainda “estão na prova” pelo menos, os franceses parecem que desceram 7 ou 8 degraus, e os alemães podem ter visto seu “desenvolvimento contínuo” dos últimos anos ser cortado pela radical mudança de regras.

E para a McLaren só dá para usar uma palavra: lastimável.

Acabou a dúvida e também virou fato: os ingleses erraram o projeto do carro. Mas não pensem (pelo menos eu não penso) que vão ficar lá atrás o ano todo. Na McLaren existem pessoas que sabem corrigir erros e “levantar a equipe”, não tenho dúvidas.

Mas, se algo de bom existe, é hora, enfim, de vermos Hamilton correndo com carro de “equipe média pra baixo”.

Pra encerrar...

Uma pergunta que não me sai da cabeça: como estariam as expressões, ou como estaria o clima, neste “sábado-para-domingo”, no escritório do comando da Honda no Japão?

quarta-feira, 25 de março de 2009

De olho no blog vizinho

Bruno Aleixo

Pessoal, Fábio Campos já disse bastante coisa no post aí abaixo. Portanto estou passando por aqui apenas para avisá-los que vocês poderão ler minhas bobagens em outro endereço. Agora, estou no velocidadecia.blogspot.com.

Não, não há nenhuma separação, ou rompimento, ou nada disso. Apenas vamos continuar nossa parceria (que se estende a todos vocês que passam por aqui diariamente) em endereços diferentes, que por vezes vão se entrelaçar.

Eu e Fábio estamos preparando novidades para vocês e, em breve, muito breve, vamos anunciar estes planos, aqui e no meu blog. Por enquanto, convido vocês a passarem por lá, participarem, comentarem, para estendermos o debate produtivo e interessante que sempre fizemos aqui.

Agradeço a todos pela atenção que recebi nesses meses em que estive escrevendo no Grid GP e espero todos vocês no meu blog.

domingo, 22 de março de 2009

A Fórmula 1, a Fórmula Indy, a GP2, a Stock Car, a Nascar, a A1GP... Enfim: a volta do GRID GP

Por Fábio Campos

É com grande alegria e grande satisfação que eu escrevo este post.

Post esse que não é um post qualquer. É um post triunfal, eu diria. É um post que marca um momento que, confesso a quem estiver lendo, nem mesmo eu, Fábio, acreditaria que voltasse a acontecer.

Por diversos motivos - que se enumerados deixariam esta mensagem muito grande e principalmente estafante para o leitor - a existência e continuidade deste espaço humilde, simples mesmo, que se dedica a debater e comentar corridas de carros, esteve em dúvida.

Mas o importante é que não aconteceu... Ou melhor, aconteceu! A partir de hoje, mesmo que demande muito esforço e uma dose de dedicação extra na rotina deste jornalista agora envolvido com o ramo do turismo, o Grid GP volta a ser uma página, senão com atualização diária, pelo menos com atualização contínua.

Não só porque a Fórmula 1 se avizinha com uma temporada que promete - promete muito, muito mesmo - mas também por causa do compromisso de comentar outras categorias às quais este blogueiro possui, digamos assim, “acesso visual”, o Grid GP está de volta.

E algumas modificações devem acontecer principalmente no conteúdo da página. Se, no momento em que escrevo, existem 9 categorias elencadas no canto esquerdo do blog como categorias que “são comentadas” (portanto, necessariamente acompanhadas via TV), a expectativa é que esse número aumente, no mínimo, para 11. Ou 12... Ou 13, até... Mas isso é assunto para mais à frente.

Ao colega Bruno Aleixo, que muito contribuiu com o Grid GP, os mais sinceros votos de felicidade. Não que a separação do colega que assinou este blog seja total: ainda há projetos que desenvolveremos juntos sobre o automobilismo (você leitor saberá mais a respeito em breve). Mas, assim como este que aqui escreve, o Sr. Aleixo partirá agora para um “vôo solo”... Bom, ele mesmo vai passar por aqui em breve para dar os detalhes.

Além de Bruno Aleixo, agradecimentos também a outros parceiros que souberam contribuir e sempre mandaram um incentivo para que esse espaço voltasse... São eles Felipe Maciel e Ron Groo, colegas no podcast Rádio on Board, e também leitores como Alexandre Ribeiro e Fábio Andrade. Foram algumas de suas palavras, às vezes simples e diretas, que contribuíram para que o “sonho” do Grid GP não fosse embora... Talvez nem vocês tenham percebido, mas alguns de seus comentários foram de grande valia.

Não só aos amigos citados, mas a outros colegas blogueiros - cujas páginas também espero voltar a visitar com a freqüência merecida - espero que o intercâmbio e principalmente as discussões de nível bastante elevado que já tivemos aqui sejam retomadas.

Afinal de contas, 2009 promete. Basta parar para pensar: Que Fórmula 1 é essa que vem por aí? Que ansiedade é essa que já toma conta por causa do GP da Austrália (daqui a 4 dias, a partir deste domingo, já teremos “carros na pista”). E a GP2, sempre com suas corridas eletrizantes? E a Fórmula Indy, que volta um ano mais madura após a reunificação? E a Nascar, que já “pega fogo” com 5 etapas disputadas? E a Stock Car, com seu belíssimo carro novo? A DTM, provavelmente com Bruno Senna. E a Fórmula 3, a A1GP, a Superleague, a Moto GP.....?

Por fim, o que importa e é mais importante ressaltar é que, independentemente do número de pessoas que escrevem, do número de categorias que se abrange, ou da freqüência dos posts, o compromisso do blog é o mesmo: ir a fundo, debater, discutir e principalmente trocar idéias sobre - como sempre digo - o mais fascinante esporte do planeta.

A todos os que se dispuserem a freqüentar este cantinho, já adianto o meu muito obrigado! E vamos juntos, pelas pistas mundo afora!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Uma análise dos protagonistas da Fórmula 1

Robert Kubica “veio pra ficar”?

Heikki Kovalainen é bom ou ruim?

Qual a maior qualidade de Nick Heidfeld?

Lewis Hamilton já mostrou tudo o que pode?

Kimi Raikkonen é pior na Ferrari do que era na Mclaren?

Felipe Massa já é um ídolo nacional?

Existe alguma dúvida sobre o talento de Fernando Alonso?

E Nelsinho Piquet, o que ainda pode fazer na Renault?


Se você quer saber e participar das respostas para essas perguntas, não perca a edição especial da Radio onBoard dessa semana, que analisa os principais pilotos do grid da Fórmula 1, enquanto a temporada de 2009 não começa.

Para ouvir, é só clicar aqui.

Não deixe de comentar, e aproveite para analisar, você também, os protagonistas da maior categoria do mundo. A edição ficou muito bacana, com a participação deste que vos escreve, ao lado dos divertidos Ron Groo e Felipe Maciel.

Se quiser, envie perguntas e sugestões para edições futuras. Os comentários são muito, muito bem-vindos.

Fábio Campos

Toro Rosso confirma Sebastien Bourdais

Bruno Aleixo

A confirmação de Sebastien Bourdais como titular em 2009 pela Toro Rosso, fecha de vez o grid da Fórmula 1 para este ano. Não restam mais vagas nas equipes confirmadas. A esperança de salvação para os pilotos que ainda tentam entrar na categoria será a compra da Honda, que a cada dia, parece ser mais difícil de acontecer. Caso algum abnegado resolva salvar a equipe japonesa, acredito que Button e Barrichello deverão ser os pilotos. Não haverá tempo para experiências com jovens promessas, como Bruno Senna.

A Force India ainda não fez nenhum anúncio oficial, mas não esconde de ninguém que seus pilotos são Adrian Sutil e Giancarlo Fisichella. Não deve haver surpresas.

Mas, voltando a Bourdais, fico feliz com sua presença no grid este ano. Já tinha dito isso na retrospectiva de 2008 e repito agora: de todos os ex-Indy/Mundial que apareceram, Bourdais era aquele que mais me enchia de esperança. Ele construiu toda a sua carreira na Europa, não teve oportunidades numa concorridíssima F1, e se mandou para os EUA para correr na Fórmula Mundial. E colocou aquela turma no bolso sem nenhuma dificuldade, se sagrando tetra-campeão. Tudo bem que correr contra adversários “fortíssimos” como Paul Tracy, Adrian Fernandez e Mário Dominguez, não chega a ser uma grande dificuldade, mas Bourdais colocou todos em seus devidos lugares. Em nenhum momento foi ameaçado por eles.

Na Fórmula 1 demorou um pouco a se adaptar, mas as últimas etapas me deixaram com a impressão de que o francês estava começando a se adaptar. Ficou muito atrás do companheiro Sebastian Vettel, mas penso que o alemão é um fenômeno que, assim como Lewis Hamilton, foi talhado para ser campeão, e será, num futuro próximo.

Bourdais e Sebastien Buemi têm tudo para fazer uma dupla forte em 2009. Resta esperar pelo desempenho da Toro Rosso.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A Rádio on Board comenta os lançamentos da Fórmula 1

As primeiras máquinas da Fórmula 1 já mostraram sua cara para o ano de 2009. O fato, é claro, não poderia passar em branco para a bancada virtual da Rádio on Board. Por isso, enquanto o Grid GP esquenta os motores para entrar de vez na pista nesse ano de muito automobilismo, convido você a ouvir e participar do bate-papo que mais uma vez eu tive a honra de gravar ao lado de Ron Groo e Felipe Maciel.

Uma conversa interessante sobre as pinturas e os novos formatos de equipes como Ferrari, Renault, McLaren, Toyota e BMW.

Enquanto a “chuva” de textos diários sobre o tema não começa por aqui, é sem dúvida um bom programa (literalmente) para quem quer ir se re-acostumando ao universo dos GPs de Fórmula 1.

Para ouvir a edição gravada nesta semana, é só clicar aqui.

E se você não ouviu a 1ª edição do ano, que foi ao ar no início de janeiro e também teve muito sobre Fórmula 1, não perca tempo e ouça já, como diria o poeta.

Fábio Campos

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Com a A1GP na pista, começaram as corridas em 2009!

Por Fábio Campos

Nada como carros na pista! Como é bom, depois de algum tempo, reviver aqueles dez minutinhos antes de uma corrida começar, quando nos acomodamos na poltrona (ou na cama, por que não?) e contamos os instantes para as luzes vermelhas se apagarem, enquanto observamos os pilotos se posicionarem nos carros, ajeitarem os capacetes, ou concederem aquela última entrevista, já demonstrando em seus rostos a adrenalina da prova que se aproxima.

Neste domingo, pela primeira vez em 2009, essa situação aconteceu. Pelo menos no que diz respeito a uma das 9 categorias que comentamos (por enquanto) neste humilde espaço.

E coube à A1GP dar o ar de sua graça, no circuito de Taupo, na Nova Zelândia. Enquanto contamos os minutos para a Fórmula 1 começar (melhor falar em meses, já que ainda serão mais de 60 dias antes que os primeiros carros adentrem a pista de Melbourne), nada como assistir uma prova com carros tão belos (não me canso de repetir) como os Ferrari da categoria que põe países contra países.

Antes de qualquer coisa, como já se vai um mês e tanto desde o último post escrito por esse jornalista/blogueiro, acho conveniente já adiantar um pedido de desculpas contra eventuais erros ou “falta de jeito” que esse texto possa apresentar. O objetivo principal aqui é (além de cumprir a promessa de “não deixar passar uma prova sequer”), o de desenferrujar mesmo para, depois de alguma mudanças que devem envolver esse espaço, “engrenar” de vez na tarefa de passar o ano inteiro comentando e debatendo corridas de carros dos mais diferentes tipos, com enfoque total para a Fórmula 1.

Curioso é que, ao escrever a expressão “Fórmula 1” pela primeira vez neste ano, um certo desânimo passou repentinamente por minha cabeça e por meus dedos. Curioso mesmo... Após uma breve reflexão, me parece que são os tais 18 carros no grid que geram um desconforto enorme de minha parte. Mas isso é assunto para depois.

Sprint Race, Feature Race, desempenho do Brasil... Foquemos na A1, ora pois.

- Corrida curta, de 20 minutos, a tal da “Sprint Race”. Pouco aconteceu na pista, e a Irlanda de Adam Carroll venceu de ponta a ponta. O destaque também ficou para a Suíça, que escalou três posições na parada única de boxe e pulou para 2º lugar. Quem teve problemas nos pits e foi obrigado a fazer uma ultrapassagem na pista (a 1ª do ano também, já que estamos em época de estréias) foi Filipe Albuquerque, piloto de Portugal. Uma bela ultrapassagem sobre o time da Itália (Edoardo Piscopo ao volante). Mas os “10 pontinhos” dessa prova ficaram mesmo com o rápido Carroll.

- Já os 15 pontos da prova principal, essa sim com 1 hora e 10 minutos de duração, tinham tudo para ficar com Carroll também. Vale lembrar que uma suposta “dupla vitória” daria aos irlandeses uma liderança muito folgada na tabela, que talvez fosse muito difícil de algum time buscar depois. Mas não podemos desprezar nunca (pelo menos quando o assunto é A1GP) o campeão Neel Jani, da Suíça. Depois de uma pane muito estranha que apagou por alguns instantes (estranho como essas “panes rápidas” vêm se tornando comum no automobilismo) o carro da Irlanda na saída dos boxes, o suíço - que vinha logo atrás - não perdeu tempo e ultrapassou o time do carro verde-limão.

Vitória, portanto, de Jani, com Carroll em segundo e Albuquerque em 3º, num GP que não foi dos melhores. Teve alguns acidentes (um deles envolvendo Felipe Guimarães, do Brasil), uma intervenção do Safety Car e várias rodadas... Mas, para quem não abre mão de ultrapassagens em uma corrida, ficou devendo.

Por falar em ficar devendo...

A equipe do Brasil segue naquele mesmo ritmo... Um ritmo de largar em 12º ou 13º, e no qual sonhar em terminar uma prova vem sendo uma distante alucinação... Terminar entre os 7 ou entre os 8 primeiros, então, é quase uma miragem.

É claro que o carro parece não ter conserto, e que o staff da equipe parece não ser dos mais competentes (apesar de ter Emerson Fittipaldi no comando). Mas começo a ter dúvidas sobre se o jovem Felipe Guimarães, com 17 anos de idade, está mesmo pronto para sentar em um carro dessa potência, ou em uma categoria desse nível.

A situação do Team Brazil merece, de fato, considerações e reflexões sobre as quais pretendo escrever em breve, em um post específico sobre o assunto.

No mais, bom mesmo é estar de volta! Aos poucos, o blog vai retomando e reconstruindo sua “rotina diária” de textos, e mais novidades vão sendo passadas aquém nos dá o solene trabalho de passar por aqui.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

BMW mostra carro e promete bom desempenho

Apareceu o novo BMW, o sexto bólido apresentado para a temporada de 2009. Como eu já imaginava, depois de ver as fotos do carro híbrido da equipe, é o mais feio de todos até aqui. A coluna traseira parece mais alta, assim como o bico, que também é mais largo. Juntando com as novas asas adotadas por todas as equipes, que não ajudam em nada no desenho, o conjunto ficou bem estranho.

Mas nada disso importa, já que o que conta mesmo é o desempenho que o carro apresentará na pista. De todas as equipes, a BMW é a que está a mais tempo se preparando para este campeonato. Desde o meio do ano passado, os alemães vêem andando com seu carro adaptado ao novo regulamento e, o principal, estão alguns passos à frente no desenvolvimento do KERS, aquele sistema que permite que a energia gerada nas freadas possa ser aproveitado em forma de potência no motor.

Não foi à toa que a BMW caiu bastante de performance a partir do meio da temporada passada. Eles já estavam de olho em 2009. E podem pintar como fortes candidatos na disputa deste ano.

Bruno Aleixo

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Os novos carros

Até aqui, Ferrari, Toyota, McLaren, Renault e Williams apresentaram seus novos carros. Aos poucos vou me familiarizando com o novo visual dos bólidos, de asas traseiras estreitas e altas contrastando com asas dianteiras que parecem saídas daqueles carros com pás para raspar neve nas ruas americanas.

De todos, até agora, o mais diferente é mesmo a Renault. Apresentou um bico mais alto e largo (lembrando um pouco os carros com bico de tubarão, que começaram a aparecer no início da década de 90). A pintura também está diferente, lembrando bastante a bandeira da Espanha. Particularmente, gostei do novo carro, tem belas cores, um layout mais equilibrado e um desenho diferente, o que sempre chama mais atenção.

Na Ferrari e na McLaren, praticamente nada de novo. Mesmas cores, desenhos parecidos, o que não é exatamente ruim, já que tratam-se de dois belos carros. O problema foi a Toyota que também mudou pouquíssimo, e manteve sua pintura totalmente sem graça para 2009. É realmente uma equipe bastante sem sal.

E, finalizando, a Williams, que ainda não conta com a pintura definitiva, mas eu não acharia ruim se eles adotassem o belíssimo tom de azul, com o qual o carro apresentado foi pintado.

Em comum a todas as apresentações: nada da pompa e da circunstância de outros tempos. Tudo muito simples e barato. Williams e Renault foram apresentadas num autódromo português. E os ingleses apenas estacionaram o carro na porta de uma das garagens, para que os fotógrafos o registrassem. Querem saber? Acho que assim fica muito mais bacana. Afinal de contas, é assim o automobilismo: um carro, na porta de uma garagem, pronto para ir para a pista.

Bruno Aleixo